terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dia 148 - 21 de 50 Aplicando o Minimalismo na Prática

Quando eu comecei a ter contato com as ideias do Minimalismo e Simplicidade Voluntária, eu li alguns livros, muitos textos e blogs na internet. E a todo momento eu me perguntava: "E aí como vou colocar em prática tudo isso na minha vida? Por onde eu começo?"

Eu percebi que fazendo uma reflexão sobre minha própria vida, sobre como eu vivia na infância e como vivo hoje, posso obter algumas respostas. E também percebi, que posso chegar a algumas conclusões e aprender a respeito disso observando e conversando com as pessoas com quem convivo. Acho que um bom papo com amigos pode render muitos conhecimentos práticos da vida. Também acho que a teoria é boa e necessária, porém, uma pessoa só se apropria dos conhecimentos quando vivencia tudo aquilo.

Eu venho de uma família humilde, honesta e que valoriza o estudo como forma de crescimento pessoal e como forma de obter  uma vida material confortável por méritos próprios. Inclusive falei sobre isso aqui .

Nós vivíamos numa casa pequena, morávamos com minha avó (exemplo de mulher, de vida, de mãe e de tudo para mim). Na época, éramos no total 12 pessoas vivendo na mesma casa., entre avô, avó, tios, tias, mãe e primos. A casa da minha avó era ponto de encontro de toda família, isso na década de 70 e início de 80, então, nos finais de semana era normal encontrar 20 pessoas almoçando por lá.

A estrutura da casa era assim: 01 sala, 01 cozinha, 4 quartos e 01 único banheiro para dividir. Nos quartos camas, com colchão de espuma, armários e cômodas. Havia um jardim pequeno na frente da casa, com portão baixo e uma pequena área nos fundos, onde estava o tanque para lavar roupas e vários varais onde se pendurava as roupas para secar.

Para todos, existia 01 televisão (19 polegadas e preto/branco), 02 sofás, 01 poltrona, um fogão azul, uma geladeira azul, um armário de aço azul e uma mesa com 6 cadeiras azul (lindas! minha avó adorava azul!), algumas panelas, pratos, copos e talheres. A comida era o bom e gostoso arroz com feijão, verduras e carne/frango ou peixe. A vó sempre fazia sucos, café, cuscuz, tapioca, bolo e doce de leite. Não tínhamos carro, todos andavam de ônibus, as poucas roupas que cada um usava viam da feira e algumas peças, a vó costurava, como as suas próprias roupas, lençóis, cortinas, toalhas de mesa e de banho. A medida que cada um ia crescendo, iam arrumando emprego, casando e mudando, construindo suas próprias famílias. 

Ninguém tinha emprego que ganhasse muito, bem... o que é muito ou pouco? Depende do padrão de vida que se leva, não é mesmo? Depende da época e das opções que se tem. Se eu pensar em salários atuais, na década de 70/80, em Brasília, na família ninguém ganhava mais que R$ 1.000,00 por mês. E assim se levava a vida, todos comiam, se vestiam e andavam limpinhos e cheirosos. Acrescento, honestos, trabalhadores e felizes com o que a vida oferecia. Como toda família grande, vira-e-mexe, aconteciam desentendimentos, normal! Em qual família isso não acontece? E quantas famílias tem uma história de vida semelhante? Penso que é um bom exemplo prático.

Diante de tudo isso, tenho algumas respostas para os meus questionamentos iniciais.

Acho que para colocar em prática as ideias do minimalismo e da simplicidade voluntária, é preciso começar. Vejo que as pessoas começam ou despertam por vários motivos. É legal entender que é um processo constante e para a vida toda. Que não há um certo ou errado, e que para cada um acontece de forma diferente e em aspectos diferentes da vida. Acho que é muito bom diminuir o consumo, usufruir bem o que se tem e perceber que a vida vai além do mundo material. Eu vi que os aspectos mais importantes da minha vida são a convivência harmoniosa com as pessoas que amo, meu próprio bem estar e o trabalho dentro do suficiente. A partir daí, comecei o meu retorno a uma vida simples afastando o excesso de bens materiais.

Eis alguns aspectos que estou buscando me manter atenta para eles:
- Morar numa casa simples, limpa e organizada. Não mudei da casa em que vivia, fiz um exame e vi que o espaço é adequado às necessidades, que os móveis e equipamentos são suficientes, sigo destralhando e procurando manter a casa organizada;
- Usar um carro simples. O meu carro é simples, tem 5 anos de uso, está em bom estado, é econômico, não vejo necessidade de trocá-lo, embora já tenha ouvido proposta para vendê-lo ou trocá-lo;
- Trabalhar as horas prevista da carga horária semanal e ao sair do trabalho, deixar as questões do trabalho lá. Sigo no meu emprego original, cuido diariamente do horário e claro, da produção;
- Manter o contato diário harmonioso com filhos, marido, mãe e amigos próximos e ajudá-los quando necessário, dentro da minhas possibilidades. Esta é uma área importante para mim, fico atenta porque o fator crítico é o tempo, porém, penso que a qualidade do tempo é importante também;
- Cuidar da saúde: ir ao médico, fazer exames periódicos, manter alimentação simples e saudável, frequentar a academia, manter as aulas de dança e manter a psicoterapia. Sigo atenta, exige esforço constante, disciplina e dedicação e veja bem, é algo pessoal e que só você pode fazer por você mesmo;
-Cuidar da beleza, cabelos, unhas e depilação e manter o guarda-roupa simples e enxuto. Eu assumi esses cuidados e sigo com moderação.

De acordo com o Leo Babauta, é interessante eleger uma área da vida e começar por ela, e na sequência, ir avançando nas outras áreas, afim de que ao longo do tempo a simplicidade possa permear toda a sua vida!

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