segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dia 293 - Como lidar com as pessoas que não estão vivenciando o minimalismo como você

Eu procurei e ficaria bem feliz de encontrar este guia por aí. Como não encontrei e acho que não existe. Fiquei aqui pensando com "meus botões". E tentando elaborar e escrever algo sobre o que percebi até agora.

Acho que muitos de vocês, assim como eu, já passaram por situações meio chatas ou observaram situações de pessoas empolgadas com seus objetos, exibindo-os, tentando causar uma certa inveja em quem está ao redor, não é? Ou seja, em você e em mim! Eu particularmente não gosto desses momentos e não sei o que fazer, ou dizer. Infelizmente ainda me chama atenção e me incomoda. Eu finjo que não vi ou que não é comigo.

Eu passei por algumas situações assim nestes últimos dias. E sério, eu fiquei com aquela cara assim ôh: "Hã!?"
guia
imagem do wallpapersus

Eu sou uma pessoa caseira e tímida, com isso meio que fujo de situações como festas, encontros e afins. E digo que está cada vez mais chato ir a eventos sociais, com os quais não tenho afinidade, quer seja pelo tema, local ou pessoas. Porém, algumas vezes é preciso ir.

Acho que ser educado e entender que as pessoas são diferentes e valorizam coisas diferentes, pode ajudar. Deixar o julgamento de lado também é bom. E não ficar comentando depois evita desgaste.

Paralelamente a isso, participei de três encontros de encerramento de ano de grupos de dança e do budismo. Foram deliciosos!

Então, eu descobri que se eu desfrutar do convívio de pessoas que tem mais haver com meu jeito, com o que gosto, e que tem um objetivo comum, junto com a sua própria singularidade, é mais legal. Eu me sinto à vontade. Os momentos são prazerosos, leves e divertidos.

guia
imagem do wallpapersus

Tem outro aspecto que andei pensando também e gostaria de comentar. Eu estava falando do convívio fora de casa, no trabalho, na escola, com colegas, amigos e parentes.

E o convívio dentro de casa, hein? Eu não moro sozinha, eu vivo com mais três pessoas e elas não escolheram ser minimalistas e levar uma vida simples como eu. Como faz, então?

Bem, eu acho que é importante respeitar as pessoas, suas escolhas, seus espaços e seus objetos. Assim, como é importante que elas também respeitem a área social da casa, porque é um espaço para a convivência de todos. E também respeitem a escolha que você fez, sem críticas ou brincadeiras. E se possível ofereça seu apoio.

Eu comecei a simplificar a minha vida por meio da organização e limpeza dos meus objetos pessoais. Depois, eu passei para a organização da casa, inevitável. Algumas vezes eu ouvi questionamentos do marido, assim ôh: "você vai se desfazer disso mesmo? tem certeza?" Na maioria das vezes, eu não tinha dúvida e colocava fora. Mas algumas vezes, eu separava até ter certeza.

Esse meu movimento dentro de casa, a minha empolgação com leituras, sites, blogs, a criação do blog, as elaborações de textos e os comentários que recebo, muitas vezes fazem parte das nossas conversas. Gosto muito. Tem feito bem para mim. É algo tão bacana que dá vontade de mostrar para outras pessoas, sabe? No sentido assim: Olha, é algo bom, quem sabe possa trazer algo para você!

Eu descobri que não ligo mesmo para os objetos e destralho com facilidade. Noto que o D. demora um pouco para se desfazer. Então, eu evitei destralhar objetos dele. No início, quanto a algumas coisas eu perguntei se podia me desfazer. Depois, eu deixei sob sua responsabilidade. O mesmo eu fiz com os objetos das meninas.

Muitas vezes, eu tive vontade de descer todos os guarda-roupas e armários, mexer no armário da garagem, nos cantos embaixo do telhado, em todos os cantos da casa, tamanha a minha gana por organização, limpeza e destralhe. Só que é melhor respeitar o espaço que está sob responsabilidade de cada um, não é mesmo? Depois, eu vi que era trabalho para muito tempo e que não adiantava sair na "sangria desatada", como dizia minha avó. Que não ia conseguir terminar a metade. Então, respirei e vi que com calma e por partes funcionaria melhor.

Agora, percebo que a simplificação vai além do se desfazer de objetos, vem a manutenção da organização, a conscientização para consumir com moderação, o bom uso do que se tem e a boa administração dos recursos financeiros. A administração do tempo. A descoberta do que é essencial para si. Aos poucos a simplicidade está tomando outras partes da minha vida.

E como envolver o companheiro e os filhos nessa mudança de vida e mudança de ser?

Como decidir onde investir a poupança da família? Como decidir guardar dinheiro para fazer uma viagem, no lugar de trocar de carro? Como conscientizar os filhos de que é importante investir em educação e cultura? Como manter a sintonia e a harmonia do casal? São coisas que eu não posso decidir sozinha, é preciso decidir junto.

Quanto aos filhos, eu acho que os pais podem ensinar muitas coisas e tornar o processo de formação de seus filhos algo rico. Eu acho que a educação financeira é algo importante de ser passado desde cedo. Os valores pessoais vivenciados dentro de casa também são importantíssimos. As garotas lá em casa têm mesada desde 10 anos e a partir dali, elas começaram a aprender a administrar o dinheiro ao longo do mês. Cada uma a seu modo. Se o dinheiro acabava, eu não entregava mais. Os estudos e a cultura são prioridade. Elas estão se tornando adultas cada uma no seu tempo, com o seu jeito, sua personalidade, suas ideias, sonhos e certamente, saberão fazer suas escolhas no futuro.

Quanto a parte relacionada ao casal, no meu caso, muitas decisões em termo de consumo, finanças e vida são tomadas em conjunto. E nós precisamos estar unidos e harmoniosos para que isso funcione. Porém, confesso que algumas vezes tenho dificuldades com meu par. Eu gostaria de verdade que ele acreditasse e vivenciasse o minimalismo comigo.

E você, como administra a convivência?


____________________________________
O Nada de Compras está no facebook agora!
https://m.facebook.com/nadadecompras

8 comentários:

  1. Hum... então, felizmente não tenho precisado lidar com nenhum problema referente a maneira das pessoas reagirem quanto ao meu modo minimalista de viver as vida. Algumas ficam surpresas sobre como eu consegui ficar tanto tempo sem compra. Aqui no trabalho, principalmente, já que trabalho com marketing em uma rede de lojas, o pessoal a principio ficou meio abismado, mas hoje todo mundo acha legal a ideia e inclusive, algumas pessoas estão aderindo a essa ideia de consumir de forma consciente e até ao meu projeto de ficar um ano sem comprar.

    Em casa tive maiores problemas porque minha mãe é muito apegada as coisas e, como foi professora, nossa casa estava entulhada de livros e papeis antigos de escola. No fds passado separei alguns que poderiam ser doados, e ontem fiquei abismada quando cheguei em casa e encontrei um baú onde minha mãe guardava papeis antigos, totalmente vazio. Fico muito feliz por minha mãe estar se libertando dessa maneira!

    Meu namorado continua gastando, e muitas vezes de maneira errada. Mas não fico dando muito pitaco não, só mostro pra ele que ele não precisava de determinada coisa... e aos poucos estou incutindo na cabeça dele essa ideia de viver com menos e de que ele não precisa de certas coisas nas quais gasta dinheiro (esses dias ele comprou um capacete, sendo que já tinha um. E aí reclamou comigo pq não tinha grana pra comprar uma capa de chuva, que é mt mais importante do que um segundo capacete, visto que eu já tenho um aqui em casa. Enfim, falei pra ele que ele precisa priorizar as coisas na vida...vamos ver se ele apruma!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada por nos dizer como você administra a convivência. Eu me ponho a pensar e vejo que a maneira como vive influencia positivamente mesmo os que estão por perto.

      Excluir
  2. Andreia, em casa só somos nós, um casal, e só eu sou oficialmente adepta da vida simples, então tento ter em mente que essa é uma escolha minha, o que nem sempre é fácil, claro. No início as mudanças que eu estava fazendo foram encaradas com ceticismo, como se fosse só uma fase minha, um interesse passageiro. Conforme essas mudanças se mantinham e se aprofundavam, comecei a ser levada mais a sério. Apoio eu tive, desde o início, mas destralhar que é bom mesmo, só eu destralhava as minhas coisas. Um momento marcante foi quando minha sogra nos deu alguns presentes que não seriam usados e ouvi a seguinte frase "A minha mãe gosta de dar presentes, mas estou tentando explicar que a gente é meio minimalista...". Achei ótimo aquele "a gente", sabe? Aos poucos comecei a notar mudanças leves não só lá em casa mas também na casa dos meus pais. A minha mãe, mesmo morando em outro estado, foi bastante influenciada pelo blog e pelo meu momento e simplificou muito a vida, apesar de ter feito isso de uma forma diferente da minha. Já na minha casa, comecei a notar que as coisas são comoradas com menos frequência e que algumas tralhas que achei que seriam eternas vêm sendo destralhadas, mesmo quando eu não estou em casa pra incentivar o destralhamento. Aos poucos 8 nosso estilo de vida está mudando, mas ainda existem várias coisas que me incomodam e que não dependem de mim.... escolhi um ser workaholic pra casar e isso afeta muito a nossa vida! A grana lá em casa é meio junta e meio separada, com contas que cada um pagal algumas coisas que são divididas e um tanto que cada um escolhe como gastar. Poderíamos ser bem mais eficientes nesse departamento e nisso eu sou a mais disciplinada, mas cadê que eu consigo vender essa ideia da gente fazer orçamento junto, bonitinho, funcionando? Não consigo. Eu consigo fazer um orçamento pra mim, mas pro ser amado juntar dinheiro e pagar tudo em dia é um parto... sabe aquele tipo de pessoa que precisa ter uma prestação pra conseguir direcionar dinheiro pra alguma coisa ou que só junta em situações especialíssimas? É assim. Como casamento é escola, aprendi a contornar e a gente tem uma boa liberdade com o dinheiro porque isso permite cada um manter seu estilo sem a gente se matar! Kkkkk....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Marina, pois é, entendo que levar uma vida simples é escolha minha sim. Como gosto de novidades, no início não fui levada a sério. Assim como você mencionou, com o tempo ele acabou vendo que eu estava de fato mudando. Ele fez alguns destralhes, porque tem alguns recantos da casa que é ele que cuida e guarda coisas, tipo: documentos, malas de viagem, ventilador, a árvore de natal, alguns itens para repor uma telha ou azulejo do banheiro e por aí vai. Quanto a grana lá em casa é junta mesmo, ele é econômico e eu que era "gastadeira", agora faço orçamento direitinho, poupamos algum dinheiro todo mês, pagamos todas as contas no início do mês, definimos uma "mesada" para cada um fazer o que quiser, e vamos administrando e apaziguando algum atrito... vamos aprendendo... como você bem falou....
      Quanto a minha mãe, ela não acessa internet, então quando eu vou visitá-la eu procuro falar algumas coisas, e aos poucos vejo que ela está parando de fazer estoque de produtos e deixando de desperdiçar cosméticos por exemplo. Acho que assim vamos contribuindo.

      Excluir
  3. Andreia, se puder visite meu blog. Comecei a um mes o ano sem compras.
    http://anonovoazul.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Letícia, seja bem vinda! Visitei seu blog e te desejo sucesso neste novo ano de sua vida!

      Excluir
  4. Olha nem sempre é fácil, tal como dizes, mas assim como nós queremos que respeitem a nossa opção e estilo de vida, também temos mesmo que respeitar a dos outros. Num casal é mais difícil pois às vezes o excesso de confiança ou o facto de um dos dois ser mais decisivo do que o outro muda tudo...e mesmo quando vc acha que o justo seria o meio termo, é preciso que a outra pessoa ache isso tambem, e ela tendo uma educação diferente é óbvio que pode achar diferente também e também temos que respeitar a educação dela.

    Sumarizando, é complicado! Mas eu tenho visto tudo isso como desafios. Sobretudo quando a outra pessoa tem facilidade em deixar tudo desarrumado, às vezes penso para mim que tem de haver demonstração de amor da minha parte em relaçao a isso, e não discussão. Num outro dia quando dou por isso ele valorizou minha atitude e se esforçou por arrumar, e deixar as toalhas completamente direitinhas mesmo que no dia seguinte não vire rotina! lol

    Também sinto que nossa atitude deve depender sobretudo do clima e disposição das pessoas no momento. As coisas bem ditas ou mostradas têm um impacto muito forte, mas é preciso que o momento seja o certo, o clima esteja bom, e haja disposição, abstração de problemas ou chatices na cabeça...e aí a outra pessoa de certeza se esforça um pouquinho!

    Bela reflexão Andreia! =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Fátima, não é fácil mesmo! Penso como você, é um novo desafio que vale à pena por vários motivos, especialmente porque é uma forma de crescimento.
      Muito bom quando você lembrou que num casal há a liberdade maior entre as pessoas, e se um toma mais iniciativa muda... muda tudo...
      E encontrar o momento certo para dizer algo ou tomar alguma atitude, hum... é algo delicado, não é mesmo? Bem, procuro usar essa maneira de abordagem também!
      Obrigada!
      :)

      Excluir

Você tem fome de quê?

Tempos atrás eu fiz uma reflexão bem interesse sobre a possível causa do consumo por impulso e sem motivo. Da reflexão nasceu o texto   O ac...