terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Dia 308 - A convivência com pessoas idosas

Falei sobre relacionamentos entre mulheres no blog, porque estou procurando elaborar e encontrar uma forma de me relacionar de uma maneira razoável com minha mãe.

É um assunto delicado, particular e familiar. Como o blog é pessoal, vou falar um pouco do que ando vivenciando com discrição.

Eu e minha mãe moramos 10 anos em cidades diferentes, distantes 1.500 km uma da outra. Sentíamos saudades, falávamos pelo telefone e assim seguia a vida.

Nos visitávamos 2 vezes por ano, quando passávamos 4 ou 5 dias juntas. O tempo era curto. Os problemas pessoais não eram abordados e nossas diferenças ficavam de lado.

Porém, a cerca de 2 anos, em comum acordo, minha mãe idosa (75 anos) veio morar aqui, na mesma cidade que eu. Sou filha única e ela precisa de suporte. Ela mora com uma tia idosa, também. Assim, procuramos manter a proximidade e a individualidade na medida do possível.

Confesso que no começo foi muito difícil. Eu dei um apoio maior até que elas se ambientassem na nova casa e na nova cidade. Entendo que para pessoas idosas mudar de casa e cidade é desafio. Foi necessário. Enfim... agora, elas estão bem ambientadas.

Com a convivência mais próxima surgiram alguns atritos. Aqueles velhos problemas e diferenças pessoais começaram a vir à tona, né! E aí, como faz?

Nossas gerações são muito diferentes. Então tivemos muitas discussões. E eu cheguei à conclusão que eu preciso agir de outra forma.

Não sei o quanto uma pessoa idosa pode se perceber ou desejar mudar. Talvez, seja um processo mais trabalhoso. Não sei. Cheguei à conclusão que é um processo dela. Acho que realmente não tenho noção do quanto ela sofre, do que ela entende por uma vida boa, e por aquilo que ela sente ter realizado na vida.

Independente de qualquer coisa, acho que não dá para esperar que o outro mude para que o relacionamento melhore.

Então, eu resolvi mudar. Eu vou fazer a minha parte.

Nesse último domingo, ela esteve em casa. Almoçamos juntas, falamos assuntos amenos e evitei que o papo se encaminhasse para reclamações próprias de idosos. Num momento ela começou a falar sobre uma assunto delicado e que eu estou resolvendo. Eu ouvi, em respeito. E disse a ela calmamente: "Mãe, eu acho melhor não seguir com esses questionamentos. Eu estou resolvendo. Assim, não chegaremos a lugar algum". Ela calou, mudamos de assunto e o dia terminou leve.

Existem idosos diferentes assim como somos todos diferentes. Eu acho que é importante pensar na velhice e como queremos vivê-la. Para muitos, em sua juventude, parece algo distante. No entanto, é necessário pensar e se preparar para isso.

Como vamos encarar nossa própria velhice, de nossos pais, parentes ou amigos?  Percebo que se nos cuidarmos ao longo da vida teremos mais chances de envelhecer bem, com saúde, independência e consciência. Aceitar a velhice, as limitações que chegam e a ajuda das pessoas, também faz diferença. Ter uma postura positiva diante da vida também ajuda muito. Viver a própria vida em plenitude, realizar sonhos e projetos, se dedicar àquilo que é essencial para si, viver o presente, amar as pessoas e lembrar que a vida é curta, talvez, traga uma velhice serena.

Para quem convive com idosos, acho que é hora de exercitar a paciência, a compreensão, a aceitação do curso da vida e auxiliar no que for possível.

velhice
Crédito da imagem wallpapersus.com

Um comentário:

  1. Muitos dos atritos surgiam pelo tipo de conversa que ele orientava, pela ideologia que ele seguia ou por aquilo que ele vivia. Eu podia querer fugir ao assunto, mas percebia que ele só sabia falar do mesmo pois era o jeito dele de fazer a filha seguir o caminho que ele seguiu e que ele acha melhor. Neste momento é quando o respeito por nossos pais surge como a chave da beleza dessa relação. Uma coisa é certa, depois de tantos anos, vamos dar-lhes paz, tranquilidade e conforto. Não vamos deixar que suas crenças alterem nossas atitudes nem que um bom convívio vire sentimentos ruins.
    Como sempre me revejo em muito que você escreve Andreia ;)

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