quinta-feira, 6 de março de 2014

Dia 351 e 352 - Mulheres sejam generosas consigo mesmas. Generosidade é um santo remédio

Estava lendo um pouco e encontrei um post da Ana Carolina do Blog Hoje Vou Assim OFF entitulado A gente nasceu para ser feliz em que ela fala sobre o bullying que sofreu na infância, o quanto aquilo a marcou e como ela descobriu como esse episódio não abalou sua auto imagem, seu positivismo e sua alegria de viver. Ela faz outras reflexões que vale muito à pena ler.

Fiquei pensando sobre isso e é um assunto que realmente mexe comigo por vários motivos. Passei por situações parecidas com a que ela narra. E acho que a beleza é um atributo feminino e que todas as mulheres são belas, cada uma a seu modo. Penso que o padrão criado pela mídia serve para nos deixar insatisfeitas e fazer com que consumamos coisas para tentar chegar próximo da beleza vendida.

Nós mulheres somos muito mais que aparência, somos inteligentes, criativas, amorosas, fortes, generosas e guerreiras.  Podemos ser felizes e tudo o que quisermos ser.

Crédito da imagem www.thesacredfeminine.com

Eu também passei por bullying na infância, na época eu tinha 7 anos, quando eu era chamada de "paçoquinha" pelas crianças da rua que eu morava. Esse apelido parecia bonitinho, mas foi criado por um menino maldoso que dizia que meu cabelo crespo era igual ao bombril. A primeira vez que eu fui chamada assim pelas crianças na rua, eu corri para casa chorando.

Eu passava boa parte do tempo estudando. Quando eu estava livre, eu brincava sozinha e um belo dia descobri a dança. Uma coleguinha de colégio me disse que fazia ballet e então, eu pedi minha mãe para me colocar numa escola de dança, assim ela fez. Não tinha alguém que pudesse me levar. Então eu pegava ônibus e ia para as aulas 2 vezes por semana. A dança era meu refúgio e alimentava a minha alma com sonhos e coisas belas.


Shannon Harkins, bailarina negra do Washington Ballet
Crédito da imagem washingtonpost.com

A questão do cabelo crespo ficou mal resolvida por muitos anos mesmo. Eu comecei a alisar o meu cabelo quando eu tinha 10 anos e segui assim até 35 anos, procurando ter um cabelo bom e ajeitado, já que o cabelo crespo é considerado cabelo ruim. Foi isso que eu ouvi por muitos anos.


Naomi Campbell, modelo. imagem internet

Michele Obama, primeira dama americana. Imagem internet

Por volta dos 36 anos, eu comecei a despertar para a necessidade de mudar isso em mim. Eu fiquei com muita vontade de assumir meus cabelos e mostrar que sou muito mais que isso. A vontade de me auto afirmar só crescia.

O primeiro passo era começar a transformação e me manter firme o suficiente para ouvir comentários de pessoas da família e externas e não me abalar, e não correr para o salão e alisar os cabelos. No começo eu ficava me justificando dizendo que era moda, e de fato era, e que muitas mulheres estavam deixando os cabelos naturais. Mas ainda me incomodava. Porém segui firme e fui ficando cada dia mais forte.

Esse processo de auto afirmação veio num crescente junto com meu processo de autoconhecimento e hoje uso meus cabelos naturais com muita tranquilidade e sem medo de comentários pejorativos. Que infelizmente ainda acontecem, digo que é a minoria. Na maioria das vezes ouço elogios sobre os meus cachos. Algum dia não ouvirei nenhum comentário, visto que são cabelos como todos os outros tipos que existem. Assim espero.

Crédito da Imagem hellobeautiful.com

Essa questão de valorizar os cabelos lisos é discriminação racial, sabemos disso. Apesar da abolição da escravatura ter acontecido em 1888, aqui no Brasil, ainda há muitos traços de racismo entranhados no comportamento de muitos brasileiros. Nós temos como origem o povo africano, cabe honrar esse povo também.


Crédito da Imagem andreluizateliedepinturas

Quando falo sobre generosidade para consigo mesma, quero dizer que para percebemos a beleza e a alegria inerente e existente em nós mulheres, é preciso nos olharmos no espelho com generosidade, compaixão e amor. E lembrar todos os dias que somos muito mais que aparência, somos inteligentes, criativas, amorosas, fortes, generosas e guerreiras. Podemos ser felizes e tudo o que quisermos ser. Sempre.

Para finalizar, um pouco da sabedoria de Lupita Nyong'o, uma mulher vencedora.

 Lupita Nyong'o, atriz queniana, 31 anos.
Crédito da imagem estadao.com.br

Palavras inspiradoras de Lupita Nyong'o ao receber o Oscar de Atriz Coadjuvante, pelo filme 12 anos de escravidão:

"Não tenho que ser outra pessoa, sou quem devo ser, é o certo. Você tem de tornar possível o impossível. Sei que meu país está ao meu lado, me desejando sorte, milhares de pessoas me desejaram sorte. O fato de eu ter ganhado enquanto tanta gente não consegue realizar seus desejos em meu país, isso é uma bênção."

2 comentários:

  1. Que reflexão linda, Andreia! Também li esse texto da Ana. Precisamos dar esse grito de liberdade contra os padrões impostos pela mídia. Mas pra isso é preciso reforçar a nossa estrutura e saber lidar com as críticas e comentários que, infelizmente, podem acontecer.

    Tão bom quando assumimos a nossa identidade, quando deixamos o nosso EU falar, quando temos uma opinião formada sobre uma coisa... Que todas nós possamos nos encontrar e fundar os alicerces para ser quem somos e nos tornar felizes a cada dia mais!

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  2. Óptimo texto! A impresa "modela" muito o que se torna moda e o processo de influência trata do resto. Eu acho cabelo bonito de qualquer modo, desde q a pessoa se sinta bem e sorria. Meu cabelo nunca foi muito definido, a cada manhã posso acordar com ele diferente, sobretudo se estiver mais curtinho (menos pesado) mas eu não me importo... Sermos nós mesmas sempre ;)

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