terça-feira, 18 de março de 2014

Dia 364 - Descobri que preciso superar as dificuldades de relacionamento com minha mãe

Bem, ontem não falei de assunto pessoal. Inclusive citei que ando evitando falar sobre essas questões.

Hoje antes que o primeiro ano sem compras termine e eu inicie uma nova jornada, preciso falar desse assunto que agora sei é o meu "calcanhar de aquiles".

Dito isso. Também digo: "estou pronta para vencer essa dificuldade!"

A dificuldade de relacionamento com minha mãe existe por conta de posicionamentos diferentes em vários e muitos assuntos da vida.

Eu passei muitos anos tentando mostrar para ela uma outra forma de ver a vida.

Agora eu entendi de todo coração e por meio do racional também, que a única pessoa que eu posso mudar sou EU.

Eu iniciei a mudança em mim a algum tempo. Estou procurando descobri formas de conviver com isso. Se ela fosse uma pessoa estranha, eu simplesmente cortaria relações e pronto. Se afastar é um bom remédio muitas vezes.

Como ela é minha mãe, preciso dar assistência uma vez que está idosa. Mas vou ser bem sincera, e sem medo de julgamento por outros, ela não é aquela "senhorinha" de cabelos brancos simpática, amorosa e doce. Ela é uma pessoa amarga, pessimista e muito crítica.

Desde que ela é minha mãe é assim, nunca cuidou da saúde mental e agora com a velhice está cada vez pior. Desculpe falar assim, mas é a mais pura verdade, constatada por mim e por todas as pessoas que ficam um pouco com ela.

Pessoas assim não são boa companhia. Elas destroem a esperança, a alegria e auto estima das pessoas. E isso aconteceu comigo na infância e adolescência. No fundo, sempre tive uma esperança que algum dia, ela pudesse começar a ver a vida um pouco mais colorida. Só que isso não aconteceu. Hoje posso dizer que eu adoeci já na infância, me tornei uma pessoa insegura, fechada e depressiva. Isso também acontece com pessoas que convivem com pais violentos ou alcoólatras.

Hoje esses sintomas que ela tem e eu tive tem nome, é uma doença e tem tratamento. Nessa altura da vida, vou levá-la a um psiquiatra pela primeira vez para ver se algo pode ser feito. Depois de algumas conversas no sentido de convencê-la de que psiquiatra não é médico de "doido" e que pode ajudá-la a se sentir melhor.

Eu estou começando a sentir o coração leve e aquela sensação de missão cumprida, sabe? Estou entregando ela e a vida que ela escolheu ao universo. Ouvi esses dias que cada pessoa tem um caminho a seguir aqui na Terra e que se ela tiver que passar por algo, ela vai passar. Há motivos para isso, os quais não conheço.

Estou começando a separar o suporte prático do cotidiano do suporte emocional. O suporte prático é feito, ela mora bem, tem alimentação, medicamentos, bons médicos, companhia e lazer. Já o suporte emocional não é minha responsabilidade mais. Para quem está de fora e não tem envolvimento emocional, costuma ser mais fácil. Já para mim é um grito de liberdade!

Nesse momento, eu tiro esse peso dos meus ombros. E me sinto livre para me cuidar, evoluir como pessoa, fazer minha revolução humana, lutar por meus objetivos e fazer boas causas para diminuir o meu carma negativo. Entendo que por algum motivo eu nasci nessa família e sob essas condições, e agora é hora de agir! De me livrar de sentimentos ruins, lembranças e mágoas e viver uma vida nova!

Essa não é uma história de lamentação. É um relato e também um desabafo, um registro desse entendimento que cheguei e da decisão que tomei, e que quero ler daqui a alguns anos. Não é bom ficar reclamando da vida, a lamentação tira a BOA SORTE. E é fato.

Essa é uma grande questão na minha vida. Sinto que estou encontrando um caminho para a sublimação. Tenho certeza que vou avançar dia após dia até vencer essa dificuldade. Eu ainda vou ficar diante da minha mãe, firme, tranquila e feliz! Independente de como ela seja e forma como ela me trate.

"Cada pessoa possui um potencial de sublimar sentimentos e emoções negativas, desde que delas tenha total consciência e se determine a neutralizá-los. Sublimar é compreender que cada mau pensamento é infrutífero, que cada ódio faz parte de um processo autofágico e liquidá-lo serenamente. É fazer uma separação entre o seu lado primitivo e o seu lado necessário. Trazer à tona, o seu lado racional-emocionado. 
Você acha que não existe? Vamos pensar juntos. No primeiro momento, pensamos em ser racional, logo vem o entendimento que nossos pensamentos devam ser gelados, desprovidos de sentimentos, frígidos. Mas não, eu me refiro a cada pessoa, trazer para si o controle de seus sentimentos de forma a tornar os sentimentos agressivos e rancorosos em sentimentos de resignação e perdão. Este é um pensamento racional e trás em seu bojo, a emoção do perdão, da aceitação". Núbia Dutra


Crédito da imagem wallpapersus.com

10 comentários:

  1. Que lindo relato, Andreia! Superemocionante... Falar de quem a gente gosta já é difícil, de mãe então... haja coração!
    Mas admiro sua coragem e, principalmente, sua decisão. Acho que foi um belo final pra sua jornada... coisas que o minimalismo nos proporciona.
    Te leio faz tempo (você escreve muito bem!), mas nunca tinha comentado... Um beijo!

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    1. Oi Bia, a gente só avança na vida se tiver coragem! Aprendi isso com o minimalismo e com a própria vida! Obrigada por ler os textos e deixar seu recado carinhoso aqui!
      Obrigada pela força! Outro ano se inicia!
      beijos

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  2. Oi, Andreia! Parabéns pela coragem.
    Eu acredito realmente que ninguém tem o direito de "roubar" a vida e a energia de outra pessoa. Você está certa em pensar em ficar bem. Cada um escolhe (consciente ou inconscientemente) o caminho que quer trilhar. Bjs

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    1. Oi Rafaela, obrigada pelo apoio. Esse tipo de decisão é duro de tomar, porém quando feito parece que o espírito se liberta! beijoss e vamos a mais um ano novo de minimalismo

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  3. Andreia, imagino o quão difícil deva ser lidar com a situação e expo-la aqui. Portanto, parabenizo você pela coragem e pela iniciativa e desejo,de coração, que tudo se resolva da melhor maneira!

    Um beijo!

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    1. Oi Bruna, bem as dificuldades acontecem para ser vencidas, sabe... acredito mesmo que sairei fortalecida dessa situação. Obrigada pela força! beijos

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  4. Andreia, conheço cada sentimento que você sentiu e imagino com propriedade de quem já viveu a mesma situação cada problema que você passou. Sim, é preciso achar uma forma de se desvincular emocionalmente!
    Boa sorte!

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    1. Oi Ziula, obrigada pelo apoio e por se manifestar, mostrando que sabe do que falo. Porque só que já passou ou passa por situação semelhante sabe com propriedade das dificuldades que existem. beijos e mais uma vez obrigada.

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  5. Este é um dos assuntos mais dificeis de refletir, e tambem de escrever publicamente. Eu tive que cortar contacto (ou pelo menos já não dou iniciativa) com muitas pessoas assim da família bem proxima para poder me sentir estável. Tem muito pano para mangas este assunto...

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    1. Sim... muito pano para mangas... também não tomo iniciativa de fazer contato com algumas pessoas da família. É necessário. Acho que aos poucos vamos encontrando estratégias para conviver ou não com pessoas que nos fazem mal, quer seja consciente ou inconsciente.

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