quinta-feira, 17 de abril de 2014

O sonho da casa própria

Aqui no Brasil temos o sonho da casa própria. Sonho que também tive e que levei vários anos trabalhando para finalmente poder realizá-lo.

Quando era recém casada, morei de aluguel num apartamento bem pequeno. Depois vieram os filhos e um apartamento um pouco maior, seguimos no aluguel. Depois conseguimos um imóvel funcional, por conta do emprego do D. .Quando eu comecei a trabalhar veio a compra financiada do primeiro imóvel, um apartamento em Brasília, onde morávamos na época. Um decisão imatura. A vida financeira se complicou e optamos por vendê-lo. Retornamos ao imóvel funcional e começamos a fazer poupança para num futuro, comprar um novo imóvel em outras circunstâncias. 

imagem wallpapersus.com

Na sequência, veio a mudança para Curitiba. Ficamos um pequeno período de aluguel até nos habituarmos a cidade. Cerca de 6 meses depois, com a poupança que tínhamos e conhecendo a região, resolvemos adquirir um imóvel simples de tal forma que pudéssemos pagar com o dinheiro que dispúnhamos. Escolhemos por não fazer financiamento. Foi uma boa decisão. Mantivemos uma folga no orçamento doméstico para começar a fazer a nova poupança.

Esse primeiro imóvel era um sobrado pequeno com cerca de 78m2, com um quintal gostoso nos fundos. Há 12 km do centro da cidade, numa região residencial com pequenos comércios. Logo chegou o nosso cachorro, que vive conosco ainda hoje e já está idoso. :0)  Engraçado é que eu achava que esse imóvel dava trabalho, que era difícil de limpar e manter. Hoje não penso mais assim e sinceramente, era pequeno e fácil sim, o que faltava era tempo e disposição para isso. Eu tinha muita tralha em casa naquele tempo e era difícil de limpar os ambientes. Eu pensava diferente, era muito ambiciosa e queria mais. Não passava pela minha cabeça a possibilidade de ser minimalista. Não condeno a ambição, acho que pode ser um motor propulsor no sentido de se estabelecer na vida. Só precisa de controle! 

Ficamos ali naquele sobrado por 5 anos e já pensávamos em ir para uma casa maior. Veio a oportunidade de adquirir um terreno para num futuro construirmos. E a vida caminhou para isso mesmo. Pagamos o terreno e ficamos um tempo planejando a construção de um sobrado maior, com espaço interno e externo e quarto para receber visitas.

A construção levou 2 anos. Cuidamos de todos os detalhes de perto. Investimos o que tínhamos planejado e conseguimos começar e terminar a obra. Essa era nossa meta! Ficou muito bom e do jeito que queríamos. O processo foi intenso, nos dedicamos muito e foi muito bacana ver a casa tomando forma, dia após dia. Ficou pronta. Depois veio a necessidade de mobiliar e decorar. Fizemos o básico, nos mudamos e depois viriam os detalhes. Eu não conhecia o minimalismo, porém a casa é clean e bem próxima dos conceitos minimalistas aplicados à arquitetura e decoração.  

Como minha cabeça não para, já me questionei muitas vezes sobre essa necessidade de querer mais, melhor e maior. De não se contentar com o que se tem e de sentir momentos de insatisfação, sabe? Será que precisamos mesmo de uma casa maior? Se trabalhamos o dia inteiro, ficamos pouco em casa e recebemos visitas eventualmente. Não sei ao certo. Já pensei que é coisa de homem (querem construir a todo custo)! Vem a sociedade e os nossos pais dizendo que posses são sinônimo de sucesso. Entendo que um dia meus pais se preocuparam com meu futuro. Só que esses conceitos ficam introjetados na mente e é preciso perceber que sucesso, satisfação e felicidade podem ser coisas bem diferentes e não somente a facilidade em adquirir bens materiais. 

Hoje, se a casa é grande ou pequena. Se é luxuosa ou simples. Não faz mais sentido para mim e não me preocupa. Já não tenho esse tipo de ambição, e nem outros tipos. A insatisfação está abrandada. Vejo positivamente os bens materiais e agradeço o que disponho. Quero bem estar, saúde e tranquilidade. Tempo para fazer o que é importante para mim. Momentos plenos em família.

Se não for querer demais: leituras, ouvir músicas, dançar um pouco, comidas gostosas, uma barra de chocolate, um tempo no sofá embaixo das cobertas, yoga, passeios ao ar livre, silêncio, calma, um abraço gostoso, um beijo estalado, o ron ron do gatinho e um cochilo de tarde.

Feliz Páscoa! Com muitos ovinhos recheados de coisas boas!

imagem da internet

3 comentários:

  1. Também penso assim, Andreia. E hoje percebo que os imoveis aqui no Brasil estão o olho da cara. Felizmente moro numa cidade pequena e estou me organizando pra comprar um terreno o mais afastado possível da cidade! Rs... Quero morar no campo, longe do agito, embora minha cidade seja super pacata! Quero uma casa espaçosa, rústica, porem, não muito grande. Quero espaço para meus caes, minha horta/pomar e só! Dou-me por satisfeita!

    Beijos!

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  2. Olha, muita gente questiona o desejo de ter casa própria e até prova por A mais B que vale mais a pena alugar. Eu, pessoalmente, estou super feliz com a minha casa financiada em 20 anos. A parcela é menor do que o que pagávamos de aluguel, finalmente estamos num imóvel em que vale a pena investir e deixar com a nossa cara e também saímos daquela situação de agonia do dono pedir a casa alugada a qualquer momento (já nos aconteceu, e é péssimo). Eu vou pagar umas 2 casas se demorar 20 anos pra pagar, mas tudo indica que pagarei em 5 ou 7. Não me arrependo nem um pouco... nem sempre o que está em jogo é dinheiro.

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  3. Adorei o seu post. Tenho colocado isso na balança também. Sou novo e inexperiente mas tenho refletido muito sobre isso. Ter sucesso na vida deve ser sinônimo de ser feliz e não de poder comprar muita coisa. nem sempre a casa própria deve ser a coisa mais importante, às vezes morar de aluguel em um lugar bom pode ser ótimo. Mas ainda penso que talvez na velhice seja importante ter uma "segurança" e que o preço que se paga em um aluguel pode ser o mesmo que se paga um financiamento. Mas como você disse: Devemos tomar muito cuidado com a ambição!

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