quarta-feira, 11 de junho de 2014

No final sairei fortalecida

Lendo o blog da Marina (Um Ano sem Compras) e o da Ziula (Hora de Mudar) fiquei pensando sobre os momentos de calmaria e a necessidade constante de destralhar.

Para mim ambos os assuntos me remetem à descoberta do Minimalismo.



Quando eu descobri o minimalismo, eu percebi como a minha vida estava pesada. Cheia de bens materiais para me distrair e não perceber como eu estava insatisfeita com minha própria vida.

No fundo, eu não queria uma vida no automático e não queria ser quem não sou. Talvez assumir o que penso sobre a vida, a minha simplicidade e o que entendo como importante para mim. Parecia que eu estava fingindo o tempo todo e não era quem, de fato, sou.

Aquilo tudo me perturbava. E eu vivia constantemente me questionando. Queria encontrar um caminho. Nesse ponto, eu sabia que existia. O principal era entender, deixar ir, acomodar e desencanar.

O primeiro movimento que fiz foi parar de comprar. Depois comecei a me desfazer de coisas.

Descobri que a minha vida estava pesada por outros motivos também. Pesos emocionais e mentais. E comecei a me desfazer de sentimentos, ressentimentos, atitudes limitantes e muitas crenças sobre mim mesma, sobre a vida e sobre o que eu acreditava ser ideal. Crenças sobre as outras pessoas, sobre a convivência. Sobre o que é uma família. Sobre a vida profissional, pessoal e afetiva. Sobre sonhos e planos.

Sério! Chegou um momento em que eu me senti completamente nua! Parecia que não restava nada! Fui tirando cada pedra que tapava o caminho. Fui trocando de pele, feito uma cobra ou de plumagem, bico e garras feito um gavião.

Ficou um vazio. Eu me deparei com a minha realidade e com a realidade que existia a minha volta. Eu me senti frágil, indefesa, e também tomada por um sentimento de coragem.

Fazer compras não tinha mais graça. Ter coisas em casa, também não tinha graça. Ficar fazendo força para me enturmar com pessoas que não tem nada haver comigo, não tinha graça. Ficar me forçando a ser altamente disciplinada e manter as mesmas rotinas diariamente, não tinha graça. Ficar me forçando a tomar banho em 5 minutos, também não tinha graça. Muitas vezes não sabia direito quem sou, do que gosto e o que quero fazer.

Era necessário reconstruir, sabe? Estou a meses numa certa calmaria, no meu tempo, me reconstruindo. Com paciência comigo mesma, me aceitando e entendendo que a vida não é linear, e que meus antigos padrões não servem mais. Agora, nada de perfeccionismo. Nada de cobranças.

Às vezes os dias ficam sem graça, sim. Tento comprar uma peça de roupa diferente para me alegrar. Só que não tem mais graça. Olho minha casa todos os dias, acho que ela é grande e ociosa na maior parte do tempo. Gosto quando recebo pessoas e vejo movimento. Quando todas as cadeiras, pratos, copos, talheres e travessas são usadas. Do contrário, não tem graça. Danço quando tenho vontade. A dança é meu hobby, foi intenção de carreira no passado e hoje é bem estar. Há pouco tempo que percebi que é muito bom que seja assim, apenas prazer. Quando eu puder e quiser, sem obrigação, sem neuras de querer me especializar e fazer os cursos mais mirabolantes do Universo.

Acho (só acho) que aos poucos estou colocando os bens materiais no seu devido lugar. São meios do qual lanço mão quando precisar. Eles, os bens materiais, não podem dirigir minha vida. É uma retomada do controle, entende.

Hoje sei que em tempos de instabilidade emocional, eu recorria aos bens materiais para tapar os buracos. Porém, não resolve. O problema continua ali. Tomei coragem e estou encarando minhas sombras. No final sairei fortalecida!

4 comentários:

  1. Dos posts mais lúcidos, genuínos e verdadeiros que alguma vez já li. Obrigado, Andreia.

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  2. Adorei a sua reflexão e me vi em vários trechos desse texto! No final é tudo para um bem maior que é a nossa evolução como seres humanos.

    Beijos!

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  3. Adorei... realmente é um processo talvez lento para a vida que estávamos acostumadas a levar, uma vida de urgências...

    Beijos

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  4. Andreia, fico feliz por ter feito um bocadinho de parte da sua caminhada. Tudo é possível sim, e neste momento (ainda antes do "final") você já está fortalecida. Lindo post!

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