segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Se colocando no lugar do outro

Depois de ler o post da Lud do Minimalizo fiquei pensando sobre as mágoas e os ressentimentos que eu guardei por muitos anos. E resolvi escrever um pouco a respeito.

Eu guardava vários ressentimentos da época de infância. E admito que depois de pensar, remoer e chorar por conta de vários acontecimentos, eu achava que a culpa era da minha mãe. Eu precisava colocar a culpa em alguém e encontrar alguma explicação para o que eu tinha passado.

De várias situações, eu culpava minha mãe porque ela se separou do meu pai e não permitiu que ele tivesse contato comigo. Eu passei toda a infância sentindo falta do pai e culpando minha mãe. Isso resultou num relacionamento difícil entre nós. Que perdurou por anos. Por mais que minha mãe tentasse se aproximar e ser carinhosa, eu não permitia.

Um dia eu resolvi procurar o meu pai para ao menos conhecê-lo pessoalmente. Assim eu fiz. E foi apenas um encontro e nada mais. O que resultou em mais ressentimentos, agora, em direção ao meu suposto pai.

Sinto que mágoas e ressentimentos intoxicam, entristece e deixa o coração duro, sabe? Muitas vezes o outro que é dito culpado nem sabe que você está tão triste por algo que ele disse ou fez. Quem fica remoendo as mágoas é que sofre.

Levei muitos e muitos anos vivendo assim. Até que eu entendi o quanto eu estava empregando energia em situações do passado. Eu estava presa àquelas lembranças ruins e nem me dava conta. Eu não vivia o presente, pois parte de mim estava no passado.

Depois de sofrer muito, eu me propus a ver e entender a situação sob uma nova perspectiva. Algo que me ajudou a mudar foi um exercício interessante que eu fiz com a ajuda da psicoterapeuta. Ela me pediu para eu me colocar no lugar da minha mãe. E procurar compreender a situação dela. Eu percebi que os meus pais fizeram o que foi possível naquela época, com a idade, maturidade e condições que eles tinham. Na verdade, ninguém teve culpa de nada. Foi a leitura que eu fiz dos fatos que fez com que eu sofresse. Se eu tivesse entendido de outra forma, mais leve, talvez, tudo teria sido diferente.

A partir desse exercício, aos poucos, fui deixando ir os fantasmas do passado. Hoje, o nosso relacionamento segue melhorando.


imagem da internet

2 comentários:

  1. Que bacana o seu relato, Andreia! Realmente por muitas vezes culpamos os outros pelo que sentimos. Nossos pais, amigos, namorados, conjuges... Enfim, sempre é culpa de alguém e no final das contas descobrimos que somos nós mesmos o culpados. Tudo é a maneira como experimentamos uma determinada situação! E no seu caso, você ainda era muito jovem pra entender. Que bom que hoje sua relaçao com a sua mãe melhora. Felicidades pra vocês duas!

    Beijos

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  2. Andreia,
    Que relato interessante, e de certa forma parecido com a minha própria experiência.

    Há tempos eu compreendi que as pessoas só podem oferecer o que elas tem - e eles dois ( meus pais ), na época, só tinham raivas, frustrações e muita muita imaturidade. No meu caso, porém, como as** imaturidades de ambos prosseguiram pela vida toda, em um dado momento eu compreendi e aceitei que eles escolheram ser assim.

    Eu não os culpo, já os perdoei por todas as mazelas que eles me proporcionaram na infância/juventude, mas decidi que quero distância deles. Eu já não consigo mais ser "madura" e racionalizar todas as trapaças e chantagens que eles fazem. Eles não são de confiança. Acontece. E não há como ter um relacionamento com quem não é de confiança, mesmo sendo pai e mãe. Sofri até aceitar isso. Mas sinto-me livre agora. E sou feliz. Há muitas saídas diferentes, não é mesmo? Felicidade e tudo de bom na sua trajetória.

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