quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A convivência com parentes ou familiares

Não sei se já comentei aqui. Eu moro no Paraná há mais de 10 anos e meus parentes ou familiares moram em Brasília e Anápolis, ou seja, a cerca de 1.500 km de distância daqui. Já estamos acostumados a fazer viagens para vê-los, ou eventualmente, recebê-los em casa, em épocas de final de ano ou em alguma comemoração especial. É uma situação que tem suas vantagens e desvantagens. Creio que como várias coisas na vida!

viagem familia


Semana passada, nós fomos visitá-los. Ficamos alguns dias em Anápolis, tempo suficiente para que meu marido estivesse perto de seus pais e demais familiares. Foram dias de visitas, almoços especiais e muito bate-papo. Todos querendo matar saudades e saber como estávamos. É muito bom se sentir querido e abraçado. É muito bom também sentir o suporte que a família oferece. Aquela sensação gostosa de se sentir parte do todo, de algo maior. Gosto muito disso! E sinto falta quando estou longe deles. Este é o lado bom, a vantagem. Sei que quando vamos visitá-los as coisas funcionam como se fossem dias festivos. Sei que o cotidiano é diferente. Todos tem seus compromissos e os encontros são menos frequentes.

Como várias coisas na vida. Existe o lado não bom, né? as desvantagens. Falo das desvantagens de está perto da família no dia-a-dia, especialmente, quando a família é controladora e gosta de interferir na vida de todos os membros. Ainda me impressiona como os adultos te perguntam sobre algo de sua vida e na sequência, sem respirar, falam o que eles pensam e, se você dê espaço, ainda, te dizem o que você deveria fazer! Muitos assuntos são tratados abertamente, sobre os namorados dos jovens, sobre onde estudam, se passaram de ano, com quem tem amizade. Quanto alguém ganha de salário, com que trabalha, para onde viajou, quanto pagou em algum objeto e tal. Se fulano separou, porque separou. Outros assuntos são tratados nas entrelinhas, quando as pessoas emitem suas opiniões sobre quem seria um bom namorado, se os pais deveriam dar um carro para seu filho ou não,que a esposa deveria saber cozinhar ou lavar uma louça, e por aí vai. A matriarca e o patriarca da família vão dando o tom dos discursos, suas crenças e preconceitos, e muitos vão repetindo. Sério, isso me incomoda! Não tenho sangue de barata! Claro que não "dou ouvidos", como dizia minha avó, "entra por um ouvido e sai no outro".  Eu tenho minhas ideias sobre as coisas. Penso diferente em vários assuntos. Gosto de liberdade e de autonomia. A partir disso, faço minhas escolhas e assumo as responsabilidades por elas.

Fui lá, fiz meu papel de nora bem (pelo menos eu acho). Eu colaborei, fui gentil e educada. E fiz ouvido de mercador para muita coisa que ouvi e vi. Afinal de contas não tenho nada haver com isso! Confesso que depois de tantos anos, ainda me incomoda. Acho que preciso treinar mais a paciência e a cara de paisagem! Talvez conviver um pouco mais e deixar claro que cada um pode dizer o que quiser, no final, quem escolhe se vai fazer algo ou não sou eu mesma, levando em consideração aquilo que acho importante.

Sei não, cheguei à conclusão que estou bem aqui, onde estou! Estou sendo sincera! Por favor, não me julguem. Talvez o problema seja justamente "eu" e minha falta de habilidade social! E problemas antigos de relacionamentos.


Muito obrigada pela leitura!

Abraços,

Andreia Rodrigues

8 comentários:

  1. Sou jovem e moro junto à maior parte de minha família.
    Quando nos juntamos, 'julgamento' é a diversão deles. Já aprendi a conviver com isso, do modo que você mesma exemplificou, mas também me questiono até que ponto é possível 'aturar' isso, mesmo sendo 'normal' e comum entre famílias.
    Me parece tão 'cruel' querer ditar a vida de uma pessoa! Mesmo que quem dita seja mais velho ou mais experiente... E julgar, sem limites, também! Acho que as melhores influências que podemos dar às pessoas são o exemplo e o conselho, e este conselho deve ser livre de obrigatoriedades, sem o ato de ditar.
    Sempre chego à conclusão de que preciso ter paciência, aceitar eles como eles são e procurar justamente não ser como eles, para que as famílias existentes a partir de mim, no futuro, tentem, como eu, levar a vida pelo menos um pouco mais direcionada ao respeito, à bondade e ao não julgamento às pessoas.

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    1. Oi, entendo e concordo com seu ponto de vista, vejo esse comportamento de juiz também na minha família. E acho muito válido questionar o que é aceito por muitos como "normal"! Porque há outras maneiras de agir, pensar e se comportar. E o futuro pode ser diferente e melhor, não é? Obrigada e abraços

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  2. Oi, Andreia!
    Eu também moro longe da família e concordo que tem vantagens e desvantagens. Por enquanto as vantagens estão ganhando, rs.
    Como você, tenho familiares com ideias bastante conservadoras. Às vezes prefiro não discutir, mas em algumas ocasiões acho interessante mostrar um ponto de vista diferente. Não é que eu vá convencê-los imediatamente, mas é que pode ser que uma sementinha seja plantada, sabe? Tento não me exaltar (o que é difícil, rs) e dizer "eu li um artigo que falava que..." ou "mas se a gente pensar que...". Porque pode ser que, nos círculos familiares, ninguém nunca tenha apresentado uma outra opinião. E aí, só o fato de outra opinião existir já balança um pouco um sistema de crenças que se pretendia universal.
    É claro que só você pode avaliar se vale a pena tentar.
    Beijos!

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    1. Oi Lud, sim! É verdade existe o outro lado da história também, as vantagens e desvantagens de morar longe da família! Quando estou com a família do marido, eu costumo adotar a postura de não emitir muita opinião, especialmente, quando é uma assunto que eu penso bem diferente deles. Por outro lado, acho que sua ideia de tentar plantar uma sementinha é ótima! Exige coragem, né? Bem numa próxima oportunidade vou tentar adotar outra postura. Obrigada e beijos

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  3. Exatamente. Melhor ver a família de vez em quando e passar bons momentos do que ter que aguentar todo dia. Familiares querem que a gente viva conforme seus próprios anseios, desejos, preconceitos, sonhos, crenças... Horrível isso.

    Mas percebi também que, por eu ser bastante sincera e autêntica, deixando sempre bem clara a minha indiferença às opiniões deles, eles me enchem bem menos o saco do antes. Se tento rebater ou fingir que concordo é pior. Só funciona ser indiferente mesmo.

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    1. Oi Helen,estive pensando que adotamos uma postura diante da família de acordo com o nosso jeito de ser e também pela nossa experiência na convivência com a família. No fundo sabemos o que funciona e o que não funciona para cada caso, não é? Obrigada e beijos

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  4. Sou de Brasília e minha família é de Anápolis. Algo que sempre me impressionou é como eles sabem, em detalhes, o quanto outras pessoas estão gastando. Oi? Fora que o viés quase nunca é de admiração, sempre tem uma inveja ou crítica subjacente. Prefiro ficar eternamente incomodada com esse papo do que um dia agir igual.

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