quinta-feira, 26 de março de 2015

Que vida é essa que estou levando?

Em apenas quatro dias de volta ao trabalho, estou percebendo como é desafiante trabalhar oito horas por dia e cuidar da minha vida. Pensando bem, não são apenas oito horas de trabalho, devo incluir as duas horas de deslocamento e uma hora de almoço, sendo assim, estou onze horas por dia, de segunda à sexta, à disposição da instituição onde trabalho.

Imagem da internet

Acho que é uma boa hora para refletir sobre isso. Porque a medida que o tempo passa, certamente, eu entrarei no sistema automático, e a falta de tempo de segunda a sexta para cuidar das questões pessoais se tornará algo "normal". O stress e o cansaço também serão vistos como "normal". Sabe aqueles papos assim: "Ah, é assim mesmo, todos tem essa dificuldade. Morar em cidade grande é isso. E depois, veja bem, sua situação nem está tão ruim assim. Tem pessoas que gastam muito mais tempo no deslocamento." É um coro falando: "se acostuma, menina, a vida é essa aí!" Sério, é verdade? Depois de viver por três meses outra vida, não acredito que a vida real é isso! E que daqui a alguns dias, chegar exausta em casa, não ter ânimo para fazer um jantar, conversar com filho e namorar com o marido, será normal? Eu não acredito?! E fico mais espantada ainda quando constato que isso já aconteceu comigo!

Fico pensando, pode até ser que a vida dos dias atuais seja essa. Eu costumo olhar em volta. Em termos de qualidade de vida, eu vejo pessoas em situação menos confortável e mais confortável. Vejo essas diferenças e penso que pode ser as consequências das circunstâncias e das escolhas de vida da pessoa. E uma coisa é certa, nem sempre quem tem dinheiro é feliz! Estou preocupada com a qualidade da vida que levo.

Imagem da internet


O que é qualidade de vida para mim hoje? É ter espaço no cotidiano para me cuidar e para me dedicar ao que é importante para mim. Gostaria que houvesse espaço para escolher a forma como eu gostaria de levar a minha vida e para mudar quando não estivesse bom. Estou sofrendo nesses primeiros dias, é verdade. Confio que vai passar. Logo eu me adapto. Agora tenho novos parâmetros sobre o que é viver bem e desejo abrir espaço no cotidiano para isso. Pretendo acalmar o coração para aceitar o que não posso mudar. E ter coragem para modificar o olhar sobre as situações do dia-a-dia, buscando vivê-las em equilíbrio! Muito?! Talvez! Porém é um horizonte! E pretendo manter vivo a cada dia!

Muito obrigada pela leitura!

Abraços,

Andreia Rodrigues

12 comentários:

  1. Andreia, penso assim também! Agora viu entrar de férias, descansar, aproveitar!Mas mesmo estando trabalhando compreendo que na verdade eu queria uma vida sem precisar trabalhar. Sem ter que vender meu tempo aos outros por um preço tão ínfimo! Não tenho vergonha alguma de dizer isso! Quem sabe ainda consigo realizar esse sonho de morar na roça, cuidar das minhas coisas, plantar... quem sabe! rs;

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    1. Oi Bruna, eu fiquei 3 meses estudando e me cuidando. Foi tão bom! Por mim, eu não voltaria a trabalhar. Como preciso, voltei. Penso que poderia ser diferente sim. E assim como você acho que estou vendendo os melhores anos de minha vida para a instituição em que trabalho. E que ainda assim sei que não sou imprescindível. Quando chegar o momento, serei substituída por outra pessoa.
      Com relação a sonhos, acho que é importante alimentá-los e lutar para colocá-los em prática, não é mesmo?

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  2. Depois que comecei a pesquisar sobre uma infinidade de coisas que compreendem a vida "real" de uma pessoa (condições de trabalho, o que se faz no tempo de sobra, o que se procura na vida trabalhando etc); percebi, como você, uma outra infinidade de coisas que, para a maioria, são 'normais'; mas que na verdade não são! Parece que nos submetemos a um estilo de vida em que sacrificamos o mais importante sem querer! E muitas vezes acabamos esquecendo do mais importante, o que é ainda mais triste... e trocamos por outras coisas, superficiais, pra compensar a falta do 'importante'. Mas essa troca nunca é e nunca será suficiente! Cheguei à conclusão de que há de se definir o que é importante e lutar por isso! Como você está fazendo e nos inspira, Andreia! Obrigado por tudo isso!

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    1. Olá, sim as nossas vidas são feitas de muitas coisas, e enquanto estamos vivendo conforme a "massa", não sabemos quem somos e o que é importante para nós. No dia que começamos a olhar para dentro, a se autoconhecer, o movimento começa, não é mesmo? Obrigada a vocês

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  3. Olá Andreia!

    Tirou as palavras da minha boca. Fiquei um tempo sem trabalhar também, cerca de quatro meses e há pouco voltei. Antes eu fazia um estágio do qual me dedicava seis horas e mais três com condução, ou seja, nove horas por dia. Ainda assim eu conseguia cuidar da vida, marcar dentista, passear, e não me sentia exausto.

    Hoje no novo trabalho estou passando o que as pessoas do nosso mundo tem considerado "normal". São nove horas de serviço (pra completar as 44 semanais), uma hora de almoço e mais três de deslocamentos, portanto agora são treze horas dedicadas ao trabalho, fora a uma hora mais cedo que preciso acordar para me vestir. Chego em casa exausto, e só penso em dormir, não dá tempo de fazer nada, a não ser no final de semana.

    Também questionei isso nessa semana. Poxa, nós estamos vivendo em função do trabalho. Será mesmo que temos que esperar envelhecer para poder curtir a vida (e nem assim ás vezes). Sou a favor da redução da jornada, mas duvido muito que isso aconteça, até porque "existe gente pior do que você, então não reclama". Tem sido difícil me adaptar, mas no final estou acostumando, tentando fazer disso uma transição, pq não quero viver assim. Se as coisas não mudam, eu mudo.

    Ótima reflexão!

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    1. Sim sim, super te entendo e concordo com você!
      Agora, encontrei uma alternativa para aliviar um pouco o stress. Estou chegando mais cedo ao trabalho, consigo sair mais cedo e assim fugo um pouco dos engarrafamentos, para então, conseguir chegar em casa menos cansada.
      Esse ritmo de trabalho é cruel e nos reduzimos a viver para o trabalho. Acho que pode ser de outra maneira, não é mesmo?

      Obrigada!

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  4. Esse teu pensamento aí é o mesmo que tenho todos os dias.. Como isso me perturba! Definitivamente, não quero passar a vida trancada, sob a luz fluorescente. Tem dias que sinto falta de ver a luz do sol, sentir uma brisa... Tenho organizado a vida para, no futuro, conseguir ter mais tempo livre e horários mais flexíveis, mesmo que isso signifique ganhar menos dinheiro (ou mudar de carreira!).

    Um beijo!

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    1. Oi Vivian, sim, isso me incomoda também. Todos os dias estou no trabalho, e vejo do que não gosto e como poderia ser diferente.
      Creio que esse incômodo pode ser uma mola propulsora para que façamos as mudanças necessárias, não é mesmo?

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  5. Olá, Andreia:

    Também aqui em Portugal sentimos o mesmo, muito embora «só» trabalhemos 9 horas por dia (8 + 1 de almoço). Cada dia me convenço mais que não pode ser, tanto mais que este ano faço 60 anos e ainda me faltam quase 8 para me poder reformar, não sabendo ainda por cima com que salário!

    O que as pessoas mais sábias aconselham é, em primeiro lugar viver perto do trabalho, que muitas vezes não é nada fácil, mas que eu, pelo menos consegui. Depois tentar negociar com a empresa o trabalho em casa durante dois, três dias por semana e na sua área profissional, costuma ser mais fácil. Por último, é tentar trabalhar por conta própria, o que também não é fácil. O caminho é juntar dinheiro para investir nesse trabalho e também para nos podermos reformar mais cedo. Optar por um estilo de vida minimalista ajuda muito. Afinal não é assim tão difícil, a partir de um determinado «limiar» com certeza, guardar uma fatia mensal do nosso ordenado.

    Beijo grande, desde Lisboa.

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    1. Olá Maria Z. de Lisboa, terra linda!
      Gosto muito de saber como é sua realidade, porque eu faço um paralelo com a minha e percebo que todos nós temos dificuldades nessa área, né?
      Quanto à aposentadoria, a idade é 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, com 30 - 35 anos de serviço e contribuição à previdência social.
      Sim, fazer uma poupança ou reserva para a aposentadoria é algo realmente muito sábio. E exige um esforço para isso, não é?

      Beijos do Sul do Brasil

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  6. É incrível como a gente passa a ver as coisas de outra forma não? Fiquei afastada por três meses há algum tempo e foi tão difícil...

    Beijos,

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    1. Oi Graziella, penso que é interessante sair um pouco da rotina para conseguir ver de "longe" todo o movimento, não é mesmo? É desafiante. beijos

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