quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O meu relacionamento com minha mãe

Ultimamente tenho falado muito a respeito de emoções, em especial, daquelas envolvidas nos relacionamentos. Estou num processo de psicanálise e naturalmente, estou revisitando as relações que tenho vivido. Num desses encontros comigo mesma, eu percebi que o meu relacionamento com minha mãe merece uma boa atenção.




Entendi que chegou a hora de me aprofundar nas causas e consequências desse relacionamento mal resolvido. Cheio de expectativas frustradas, falta de diálogo, rigidez, apego, mágoas e decepções.

Ao me permitir vivenciar, sentir e falar com honestidade sobre esse relacionamento, eu estou descobrindo muitas coisas. E uma delas é que eu assumi a postura da filha questionadora e que toma atitudes contrárias às atitudes da mãe. É uma forma de dizer que não concordo com ela. Esse clima tenso, toma conta dos nossos diálogos, e eles se transformam em discussões. Percebi que eu estou repetindo a rigidez e o autoritarismo que eu tanto critico, e, sem me dá conta, estou participando do jogo de competição que foi estabelecido.

Essa situação é desagradável e estressante para mim. Normalmente, fico muito tensa quando a encontro. Cansada de tantas discussões, de uns tempos para cá, eu escolhi me calar para evitar as brigas. Não brigamos mais, no entanto, as emoções continuam atuando. Elas existem e não posso ignorá-las. E minha mãe segue tentando impor seu modo de pensar e viver a todos.

Claro que passa muitas coisas na minha cabeça e eu me faço muitas perguntas em busca de entendimento, de flexibilidade e de possíveis soluções para o problema. Entendendo que é um assunto delicado que embora existe os desentendimentos, existe Amor.

Assim, eu me pergunto.

O que eu penso sobre a criação das minhas filhas? Será que eu penso diferente da minha mãe? Ou será que eu estou agindo no automático, alimentada por essa vontade de ir contra e ter razão? Não seria o caso de refletir e encontrar as próprias respostas sobre isso?

Porque eu me envolvo no clima de competição? Eu quero competir? Porque eu quero provar para todos que eu estou certa? É necessário? Não seria o caso de falar e agir para mostrar que não quer competir?

Será que se eu me calar e fugir das conversas resolve o problema? Porque tenho medo de me posicionar no mundo e dizer o que eu penso? Não seria o caso de dizer o que penso e assim marcar um limite claro para que as pessoas me respeitem?

Por fim, porque estou nesse círculo vicioso e não me dei conta? Agora que estou ciente desse vício, não seria o momento de mudar a postura?

Eu entendi que eu estou contribuindo para que o meu relacionamento com a minha mãe siga dessa maneira. Porque até agora, o modo como eu tenho agido, só tem reforçado o clima de competitividade e animosidade entre nós. Eu sei que a responsabilidade pelo estado atual da nossa relação cabe a nós duas. Estou descobrindo que eu posso mudar minha forma de agir e, assim, enfraquecer esse relacionamento doente.

Percebi que me calar, fugir das conversas e ficar guardando emoções não é o melhor caminho para mim. Preciso reagir e enfrentar as situações que surgem no relacionamento com minha mãe. Por ser um relacionamento muito importante na vida de uma pessoa, a forma como lidamos com ele influencia, fortemente, como nos relacionamentos com as outras pessoas. Pelo amor que existe e por sua importância e influência, é preciso dá um novo rumo para essa história.


Imagem: http://www.pixabay.com/

10 comentários:

  1. ah as nossas mães, hahahaha...minha questão com a minha é que invertemos durante muito tempo quem cuida de quem, e hoje, já não consigo mais permitir que ela cuide de mim, me sentindo sempre sobrecarregada! nem filhos quero ter, e boa parte disso deve vir do que passei com ela!

    beijos e muita força e luz nessa jornada, que sempre é complicada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim... falar de relacionamento com mãe é o que há! sim, sim... influencia o nosso relacionamento com as outras pessoas e consigo mesmo! bem, eu acho que vale à pena entender tudo isso e buscar um resolução, sempre do meu ou do seu ponto de vista, porque é aquela velha história, só dá para mudar a si mesmo! obrigada! beijoss

      Excluir
  2. Parabéns pelo post autêntico e corajoso. Também não consigo me dar bem com a minha mãe, uma leonina que busca ser o centro das atenções através de se fazer de mártir. Muuuito chato! Difícil, né?
    Beijos e boa sorte. 💐

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe... é um tema recorrente, ouço amigas falando de seus relacionamentos com suas mães e muitas vezes são problemáticos. É uma questão presente na vida de muitas mulheres, e porque não falar sobre isso, não é? Imagino sua dificuldade com sua mãe! Penso que nós filhas, mais jovens e com a cabeça mais arrejada pode dá um novo rumo à história, se não podemos mudar as nossas mães, podemos mudar a nós mesmas e nos libertarmos desse fardo. obrigada, beijos e boa sorte também! :)

      Excluir
  3. Que relato honesto, Andreia! Minha relação com a minha mãe é um pouco conturbada tambem, isso porque somos muito parecidas. As pessoas são nossos espelhos: umas espelham nosso lado bom e outras o nosso lado ruim. Voce faz terapia? Quem sabe te ajude de alguma maneira a solucionar essas questões!

    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Bruna, sim relacionamentos são coisas complicadas porque refletem o que as pessoas são. E para mudar, melhorar ou para uma das partes se libertar é preciso dá um passo adiante. Sim, faço terapia a muitos anos, e atualmente estou num processo de psicanálise "punk" :) obrigada e bejos

      Excluir
  4. É tão dificil conversar com pessoas que, pela vivência completamente diferente que tiveram não conseguem nos entender. Sobretudo quando há uma outra geração patente, fortemente enraizada por outros hábitos e costumes, nem todos conseguem (como nós) atualizar e permitir um "upgrade" no "sistema"!
    Nesses casos, é tão delicado, sobretudo pelo amor incomensurável que temos por essa pessoa, neste caso "a mãe". Que apesar de tudo nunca deixará de ser "a mãe". Aquela "mãe". Insubstituível rs :-)
    Deus nos dá desafios à nossa altura. Cuide dela com todo o carinho e esqueça batalhas ou guerras. Ame demais e sorria. Deixe pra lá as emoções negativas e viva tão forte o presente!! Você já é uma heroína neste momento!! <3

    ResponderExcluir
  5. Você já ouviu falar de "Constelação familiar"? De Bert Hellinger?
    Hoje eu não consigo entender os relacionamentos (especialmente familiares) se não sob essa ótica...
    O poder de cura é imenso!
    Fica a sugestão para conhecer esse trabalho terapêutico :)
    Um grande beijo!

    ResponderExcluir
  6. Saber do passado da sua mãe ajuda muito a compreender porque ela age de uma determinada maneira. Minha mãe é muito fechada e se faz de forte para tudo, o que atrapalha o estabelecimento de uma conexão. Como se conectar com alguém aparentemente invulnerável? Como falar de suas vulnerabilidades com alguém tão casca grossa? É difícil, mas saber da vida difícil que ela teve me faz olhar para ela com mais compaixão, compreensão e menos julgamento.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Entendo, e faz todo sentido. Só fico pensando como fica as suas necessidades como filha. Você falou isso para a sua mãe? Eu sou mãe e normalmente, nós consideramos muito o que os filhos falam para a gente. Pense nisso?

      Excluir

Fazendo bom uso da tecnologia disponível, fugindo do sonho virtual

A tecnologia é algo que parece fazer parte da vida da maioria das pessoas. É comum o uso de computadores, tablets e smartphones nas ativid...