quinta-feira, 7 de abril de 2016

A falta que eu sinto do meu pai

A cada dia que passa tenho mais certeza que reconhecer verdadeiramente o que se sente é a chave para a mudança interior. Para a mudança de postura diante da vida. Talvez os sentimentos ruins percam um pouco de força. E seja possível se sentir fortalecido e assim, tocar a vida para frente.




Eu cresci sem a presença do meu pai. Não porque ele tenha falecido, mas porque ele foi embora enquanto minha mãe estava grávida de mim. O casamento não deu certo.

Minha mãe procurou abrigo na casa da minha avó, onde foi bem recebida. Entre o apoio de uns e a reprovação de outros, minha mãe seguiu em frente com a gravidez e eu nasci em 25 de junho de 1970. Quando ela se tornou mãe-solteira aos 32 anos de idade. Ela dizia que aproveitou a última chance da natureza para ser mãe, porque a menopausa chegou cedo, aos 33 anos.

Depois que meu pai foi embora, ele tentou se aproximar de mim algumas vezes, porém, minha mãe não permitiu. Pelas notícias que tenho, ele desistiu e nunca mais me procurou. Na época, ele também tinha 30 e poucos anos. Anos depois, ele se casou e teve três filhos. Eu tenho três irmãos, com os quais nunca tive contato.

Minha mãe não se casou e não teve outros filhos. Percebo que ela se fechou para o amor. Ela se dedicou ao trabalho, fez o que pode para me criar e me oferecer uma boa educação. Cresci filha-única em meio a adultos.

Na minha certidão de nascimento consta apenas com o nome da minha mãe, que nunca pediu pensão alimentícia para meu pai. Por vários motivos, ela assumiu totalmente a minha criação e procurava não deixar faltar nada para mim. Ela só não contava com o fato de que, por mais que ela, com a ajuda da minha avó e da minha tia, tentassem suprir todas as minhas necessidades, a falta que eu sentia do meu pai era algo que ninguém poderia suprir. Ficou uma lacuna. Um espaço, bem aqui no peito. Percebe?




A presença de um pai na educação dos filhos é muito importante. Principalmente quando ele é presente de verdade e participa ativamente nos cuidados com os filhos. Eu senti muita falta do meu pai. Mesmo que eu não tenha convivido com ele, eu convivi com meu avó, e via a relação dele com os filhos. E eu desejava um relacionamento com um pai também.

Eu sinto a presença paterna como "um lugar seguro". O pai é aquele lugar para onde eu corro quando quero um abraço apertado, quando quero me sentir segura e protegida, quando posso me sentir criança no colo. O pai é aquele que pega na mão e leva para passear. É aquele que dá "asas" e incentiva quando há o desejo de experimentar algo novo. Cada um a sua maneira.

Vivenciei um pouco dessa presença paterna na figura do avó e do tio Bené. Eles me ofereciam essa segurança na medida do possível. Eles me pegavam no colo, me levavam para passear e para tomar sorvete! Porém, não puderam estar presentes em todas as situações da minha vida que, talvez, apenas o meu pai pudesse se fazer presente e preencher meu coração daquilo que eu precisava. Amor.

Quando eu completei 25 anos, eu procurei o meu pai para conhecê-lo pessoalmente, conversamos um pouco e, apesar das promessas, não aconteceram novos encontros. Eu quis muito manter um contato, porém, ele não se interessou.

Muito sinceramente, sem julgamentos, eu sinto muita raiva dessa "lacuna" que ficou na minha vida. Sinto raiva do desenrolar dos fatos. Sinto raiva das mentiras que disseram, quando eu preferia a verdade por mais dura que ela fosse. E me pergunto internamente. Porque minha mãe não permitiu que meu pai se aproximasse? Porque meu pai desistiu e não me procurou? Eu gostaria, mesmo, que tivesse sido diferente.

Eu não me sinto vítima dessa história. Porque apesar dessas dificuldades, percebo que as transformei em fortaleza, segui em frente e hoje conto a minha história sem medo, reconhecendo os sentimentos ruins e buscando com coragem uma possibilidade de mudança interior.


4 comentários:

  1. Muito interessante sua historia.Eu penso que por suas palavras você se sente culpada ,saiba que a situação não dependeu de voce.Não se sinta!você não pode e nem pode controlar nada ,pois é a história dos seus pais.
    É esse meu conselho!beijo
    Mundominimalistablog.worpress.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, andei pensando sobre isso, ou seja, que se trata do relacionamento dos meus pais, e que embora tenha me afetado, é a vida deles. E sobre a culpa, sim, sinto culpa. Acho que talvez eu pudesse ter feito algo para mudar isso. Sei que é ilusão, e aos poucos, a culpa está se diluindo. Obrigada pela força! beijos

      Excluir
  2. Olá Andreia!
    Meus pais também se separaram. Com 10 anos tive de escolher entre pai e mãe, penso que foi a pior decisão da minha vida. Apesar de ser mais ligada à minha mãe, foi meu pai que escolhi. Sem dúvida as crianças são as vítimas nestas situações, pois não têm culpa das sequelas pós separação dos pais. A gente aceita que foi o melhor para eles, mas não aceita que nos coloquem em seus problemas. Outra coisa é que a figura de ambos é importante sempre... Eu acabei por crescer com o pai, sentindo falta da mãe...e meu pai, criado em aldeia, se esforçou mas coisas de mulher é sempre complicado!
    Te acompanho com muito carinho e muito pensamento positivo... um beijo enorme!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Fátima! Que escolha difícil?! Os dois são igualmente importantes e necessários. A separação é dolorosa e afeta as crianças. Acho que dependendo de como os pais lidam com isso, pode ser administrável. A falta existe né?! Sabe acho que os nossos pais fizeram o que eles conseguiram fazer. Obrigada pelo carinho e pensamentos positivos. Eu também procuro te acompanhar, sempre desejando que esteja bem e que sua viva siga em paz e com tranquilidade! Abraçossss com carinho :)

      Excluir

Se mantenha no fluxo e tudo será como é

Há algum tempo, ando lidando com situações imprevisíveis, não tenho garantias de resultados positivos e preciso lidar com  os riscos e as su...