quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Como ajudar uma pessoa em depressão

Há algum tempo minha mãe vem lidando com a depressão. E eu tenho procurado ajudá-la. É uma tarefa árdua.

Eu sei que é um tema pesado e difícil. Mas eu não posso ignorar o que eu estou vivendo. Acho importante falar sobre a depressão para trazer informações e lembrar que qualquer um de nós pode passar pela mesma situação, como doente ou como ajudante.



A depressão é um distúrbio mental que tem como característica a presença da depressão na maior parte das situações do cotidiano, por pelo menos duas semanas. Baixa autoestima, perda de interesse em atividades, pouca energia e dor sem motivo definido. Não se sabe as causas exatas da doença, fala-se em fatores genéticos, mas também há os fatores ambientais.

No caso da minha mãe, trata-se de uma recaída de uma depressão que estava controlada por cerca de dois anos. Agora, ela não tem vontade de ir à piscina e as aulas de informática. Tem dificuldades para se alimentar, dormir, conversar, pensar e se relacionar com a família. Já não vai à missa e nem assiste seus programas religiosos. A única coisa que ela sempre faz é tomar banho! Ao menos!

Entendo, um pouco do que se passa com ela, porque já vivi alguns períodos em depressão na minha vida. E de alguma forma, a minha experiência me ajuda a ajudá-la.

Primeiro, coloquei a minha observação a serviço e, assim, pude perceber que aos poucos o comportamento dela mudava. Ela não percebeu que estava entristecendo novamente.

Depois, veio o pedido de ajuda ao médico, afim de que pudesse nos orientar. Estamos em processo de busca de um medicamento que ajude e tenha poucos efeitos colaterais. Algo que requer paciência e calma. Persistência e disciplina.

Para mim, a tarefa mais desafiante é saber como lidar com ela. O que funcionou para mim, não funciona da mesma forma para ela, embora me dê uma pista sobre como agir. Estou tateando.

Eu me pergunto o tempo todo: o que eu posso fazer para ajudar? As questões práticas estão encaminhadas. E a parte mental e emocional, o que eu posso fazer? A doença é subjetiva, por um lado, não existe um exame para detectar ou dizer o quanto a pessoa está doente e quando vai melhorar. Alcançar os sentimentos e emoções envolvidas é complexo. Por outro lado, a doença é concreta porque traz dor física, perda de peso, choro fácil e maltrata quem está por perto. A depressão impacta a vida do doente e dos cuidadores, e é muito séria.

Em tempos de depressão, havia duas coisas que eu achava ruim. A solidão e a incompreensão.

O sentimento de solidão estava presente o tempo todo. Só eu sabia o que eu estava sentindo naquele momento, por mais que eu explicasse para meu médico ou para alguém próximo, eles não sabiam o que eu estava passando e a sensação era de solidão e falta de perspectiva. Também havia uma fantasia de que eu estava sozinha e que eu não tinha como recorrer a alguém, e que ninguém ia me ajudar. Felizmente, isso era ilusão.  Ao buscar ajuda pude perceber pessoas do meu lado, que me amam e que querem me ver bem. Assim, senti um conforto enorme e uma força para seguir em frente.

A falta de compreensão das pessoas, também, estava presente. Alguns não sabem o que é depressão e muito menos que ela existe. Tem os que querem ajudar, sem perceber que são meio "trogloditas". Falar para uma pessoa deprimida para levantar da cama e sair para passear, é no mínimo, falta de sensibilidade. A pessoa está incapacitada e ela não pode controlar isso. Por outro lado, respeitar o momento do doente e se mostrar disposto a ajudar quando e da forma que a pessoa pedir, é como você dizer para o doente: "estamos juntos"!

Atualmente, estou como alguém que apóia. Embora, eu esteja ora preocupada, ora aliviada, ora otimista, ora meio perdida, sempre, torcendo pela recuperação da minha mãe, eu sei que essa "briga" é dela e que existe um tempo para tudo.

E você já esteve deprimido ou conhece alguém que já esteve? O que você aprendeu com essa experiência?

3 comentários:

  1. As melhoras da tua mãe e muita força para ti.
    :*

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  2. oi Andreia,

    Lidei muitos anos com a depressão da minha mãe. É muito difícil, nada do que você fala e faz parece ter efeito. É como se a pessoa estivesse em um poço escuro, onde sente tudo de forma negativa e pessimista. Eu ficava esgotada.

    Para mim um ponto chave foi ler "O Demônio do Meio-Dia", é um livro enorme, mas muito bom de ler. Lá pelas tantas o autor diz que ele só não se matou porque sabia racionalmente que aquilo ia passar. Até ler esse livro, eu achava que eu já tinha tido depressão, depois dele, a minha percepção mudou, acho que só tive umas fases mais tristes e desanimadas. Nessas fases, o que me ajudava muito era manter a rotina estruturada, mesmo que eu não tivesse nenhuma vontade, assim não precisava pensar se o que estava fazendo tinha algum sentido ou não. Mas, para mim, essas fases nunca foram incapacitantes, e apesar de não ter motivos claros, acabaram passando naturalmente.

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  3. Minha mãe teve depressão mas eu era muito pequena. Mas, pelos relatos dela, acho que a falta de compreensão das pessoas é o que mais dói no depressivo porque tem muita gente que acha que é frescura, falta do que fazer e na verdade não é. Parabéns pela sua atitude e que Deus abençoe para que vocês achem o remédio ideal para ela.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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