segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O crescimento pessoal em tempos difíceis

Esses últimos tempos, tenho vivido uma série de coisas novas todos os dias. É a primeira vez que eu acompanho tão de perto uma pessoa da família no hospital.

Cuidar da minha mãe tem sido uma grande oportunidade de aprender muito sobre a vida.  





Até agora foram 16 dias no hospital. Acompanhando e vivendo a expectativa de alguma melhora na saúde dela. Nossa pequena família se desdobrou para que ela tivesse companhia todos os dias e todas as noites.

Percebi o quanto "entrei de cabeça" nesse processo de doença e de cura. Senti como é desgastante e cansativo ficar vários dias no hospital, assim como é importante dosar a energia depositada para conseguir manter a disposição ao longo do tempo. Principalmente, quando se sabe que ainda temos um bom caminho pela frente.

O Natal aconteceu e minha mãe estava internada. De coração partido, senti muita falta dela. Busquei forças para manter a vida e cozinhei a nossa ceia. Jantei entre abraços, beijos, carinhos e lágrimas.

Entendi que preciso da ajuda das pessoas para cuidar dela. É assustador se distanciar e ficar com medo de que algo de ruim aconteça na minha ausência. Por vezes, esqueço que preciso relaxar, dormir e me alimentar.  E que eu tenho meus limites também.

No Ano Novo, finalmente, "ganhamos" alta e ela pode voltar para casa. Alegrias e questões. Estamos aprendendo a lidar com as novas condições dela. Descobrindo necessidades, limitações e fazendo adaptações para que ela fique confortável.

Estou muito próxima da minha mãe, arrisco dizer que hoje temos um nível de intimidade grande, nunca antes alcançado e que nossa comunicação está fluindo. Essa é uma conquista. A intimidade faz com sejamos honestas, vem à tona sentimentos, dificuldades e carências. 

Estou procurando fazer o melhor que posso, apesar de achar que eu poderia fazer mais. Tenho consciência de que não é possível estar presente 24 horas por dia, apesar de querer isso. Sei das reais condições da minha mãe, apesar de esquecer em grande parte do tempo e procurar me focar no que é preciso fazer no momento. São questões presentes para as quais tenho encontrado respostas ou não.

Tenho percebido que grande parte das exigências que fazemos durante a vida, como vontades e caprichos perdem a razão de ser quando a saúde está sendo testada. Tanto faz a roupa, o penteado dos cabelos, o asseio com os dentes, a cor dos lençóis da cama, os calçados, seus pertences, as atividades que faz, o salário que ganha e o controle da conta bancária. Parece que a doença vem e nos faz desapegar de tudo que é mundano e material, só interessa a vida. Ficamos desnudos e vulneráveis.

Não sei o que vem pela frente. Percebo que não estou no controle. E que a impermanência das coisas da vida me  mostra que mudanças acontecem e que por meio delas posso aprender sobre crescimento e maturidade. E que situações que trazem sofrimento também podem nos fazer descobrir força e coragem. Deixar ir o apego e abraçar a aceitação do movimento da vida traz paz interior. 

Sinto que é hora de crescer e me tornar completamente adulta, pronta para me cuidar. Aberta ao crescimento e à autonomia que tudo isso me proporciona. Feito pássaro pronto para voar.



4 comentários:

  1. Olá !!! Estou passando pelo mesmo processo,o meu pai está acamado e totalmente dependente faz 5 meses e vejo que se não temos saúde não somos nada e muitas coisas mundanas não tem mais valor.

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  2. Olá! Leio o seu blog há um tempo e essa postagem foi a mais emocionante de todas! Estarei aqui torcendo por você e pela sua mãe. Abraços e bjs afetuosos.

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  3. Seu relato me tocou demais! Torço pela melhora dela!
    Mil beijos

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  4. Sei bem como é estar nessa situação. Sei como é chato sentir esse sentimento de impotência diante dos fatos. Mas tente não ficar triste perto dela. Tente transmitir sempre paz a ela. O que tiver que ser será, rezemos pelo melhor!

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