segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O que eu aprendi sobre a vida nesses dois meses

Já falei sobre o adoecimento da minha mãe em vários textos, eu sei. Desculpas se me torno repetitiva assim, é que tem sido uma experiência forte para mim. E como eu gosto de partilhar minhas vivências, natural que eu queira escrever a respeito.




Muitas coisas mudaram nesses últimos dois meses, e eu aprendi várias coisas sobre a vida e as pessoas:

1. Desconfio que muitas coisas são colocados à prova quando algo sério acontece em nossas vidas. Percebo que não estamos preparados para receber uma notícia difícil sobre a nossa própria saúde ou de uma pessoa da família. Cada um reage à sua maneira. Sou do tipo que fica paralisada e precisa de um tempo para digerir a história. Depois se torna possível pensar em alternativas.

2. Para mim é natural ajudar. Isso pode ser bom ou ruim. A questão é saber como e quanto ajudar o outro, respeitando as suas escolhas. Percebi que é bom observar e ir dosando a ajuda de que a pessoa precisa. O que se deseja é que a pessoa se recupere e possa seguir independente mesmo com algumas limitações.

3. Aprendi que a casa da minha mãe não é mais a minha casa. A partir do momento que saí de lá e construí minha própria vida, eu descobri meus gostos e preferências e ela encontrou outra forma de funcionar. É importante reconhecer e respeitar as individualidades e os espaços de cada um. Não dá para interferir, a menos que sejamos solicitados.

4. Aprendi que as pessoas são diferentes e a forma como se relacionam também é diferente. Eu não posso tentar impor o meu jeito e acreditar que o outro vai agir da forma que eu espero e acredito ser o certo. Não, não mesmo. A questão é perceber e respeitar essas diferenças, procurar entender o outro e assim, ter flexibilidade para se relacionar com pessoas diferentes.

5. Aprendi também que não tenho o controle. Questionei e busquei informações sobre a doença da minha mãe afim de ter algumas certezas ou segurança. Não encontrei. As etapas acontecem uma a uma. Concluí que não se tem certezas nessa vida, há o imponderável!

6. Entendi que o tempo é algo relativo. Eu achava que meu tempo do cotidiano era curto e que não conseguiria encaixar outras atividades. Percebi que ter ou não ter tempo é uma questão de prioridade mesmo. As coisas sem importância são deixadas de lado, para que o realmente importante ocupe o seu lugar.

7. Aprendi que se vence os medos vivenciando eles. E que ficar de longe, faz com que os medos pareçam muito maiores do que eles são na verdade. Depois que os medos são superados, a sensação de vitoria pessoal é compensadora!

8. Aprendi que ficar quieta na zona de conforto pode ser agradável e também limitante. O crescimento vem quando saímos dessa área e vamos para o mundo viver com as pessoas e lidar com situações novas.

9. Entendi que é bom se planejar, desde que tenhamos em mente que, na realidade, as coisas podem não se concretar ou sair diferente do que imaginávamos. Que é importante está aberto a mudanças e ajustes e que, muitas vezes, só é possível planejar o mês em que se vive, porque há situações que não podemos vislumbrar de antemão.

10. E por fim, perceber a fragilidade humana, o final de vida de uma pessoa e a aproximação da morte me faz pensar que somos finitos e que, em algum momento, que não sabemos, a vida vai acabar. E eu me pergunto: o que tenho feito da minha vida?

E você, o que tem feito da sua?

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