quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Hoje me despedi da minha mãe

Depois de 9 meses de luta contra a leucemia, minha mãe partiu. Foram os meses mais difíceis e mais incríveis da minha vida.



Tudo começou em Dezembro de 2016, um mal estar e a descoberta da doença. Eu senti o chão faltar embaixo dos meus pés e um medo enorme tomou conta de mim. Minha mãe percebeu que era o início de um caminho difícil.

Os primeiros meses, ela seguia bem, estava forte fisicamente e lutava para manter sua independência. A fé era sua companheira. Eu percebi que eu precisava dar espaço a ela, então me mantive atenta e disponível o máximo que pude, muitas vezes, eu a observava de longe.

A primeira internação para transfusão de sangue foi um susto. Depois, entendemos que seria parte da rotina do tratamento. E que receber o sangue era uma benção que trazia força e bem estar para seguir adiante.

A convivência com minha mãe era diária, assim, pudemos conversar sobre assuntos importantes e que estavam guardados. Minha mãe tirou muitas fotos do baú da memória. Falava o que sentia, fazia pedidos e aprendeu a usar o whatsapp para ficar perto da família e dos amigos. Aprendeu, também, a pedir ajuda e a receber apoio de todos. E a dizer que estava difícil para ela.

Minha mãe tinha a fama de ser uma mulher forte que criou uma filha sozinha, que cuidou do pai e da mãe até o fim da vida. Herdei essa fama. Agora a sua força estava sendo testada. Assim como a minha também. Com o andar da doença enfrentamos momentos muito difíceis e que nos víamos frágeis e vulneráveis diante de algo que não podíamos mudar e era mais forte do que nós.

Os tempos em que minha mãe estava forte, eu até esquecia da doença e tentava viver como se não existisse. Percebi que aceitar o acontecido era muito, muito difícil, porque eu entendia que não havia cura e por isso a morte era uma realidade.

Em maio de 2017, veio a notícia que eu temia. A quimioterapia deixou de fazer efeito. Com isso, minha mãe começou a ficar debilitada e iniciou uma série de complicações. As internações se tornaram mais frequentes. Em julho foi feita uma nova tentativa de quimioterapia sem sucesso.

O mês de Agosto foi o mais complicado, intenso e triste. Mais complicações. UTI. Uma breve recuperação, seguida de outra piora e volta para UTI. Nesse momento, o médico me chamou para conversar. Que difícil, Meu Deus! 

Houve uma breve recuperação final, quando nossos parentes chegaram para vê-la. Após todas as despedidas, minha mãe partiu.

Os momentos incríveis ficaram por conta da proximidade e intimidade que construí com minha mãe. Estávamos disponíveis para isso e sentindo que era o momento. Vivemos uma espécie de reconciliação mútua. Apesar de todo sofrimento envolvido nesse adoecimento, nós tivemos a oportunidade de abrir o coração e deixá lo leve, em paz e pleno de Amor.

Um comentário:

  1. Até as coisas más têm o seu lado bom minha querida!
    Lamento imenso pela perda!
    Agora há que guardar as boas memórias e pensar sempre que tens uma estrela no ceu a olhar por ti!
    Beijinho enorme

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