Sobre o corpo feminino

Há muito o que dizer a respeito do meu corpo enquanto mulher. Há algo sobre aparência e muito sobre o meu mundo interior. Sinto que o externo e o interno dialogam o tempo todo.

Percebo que me sentir bonita tem relação com o meu bem estar emocional e meu estado de espírito, e não está, necessariamente, relacionado com a minha aparência física.






Vivemos num tempo em que a beleza é muito valorizada, muitas vezes, mais que a inteligência, a segurança, as conquistas e as realizações. As meninas crescem aprendendo e acreditando que precisam ser belas para serem aceitas, valorizadas e amadas pelas pessoas.

A ideia de beleza precisa ser coloca em perspectiva pois é um conceito que sofre mudanças em função do tempo, da cultura e das crenças. Em cada época, a beleza segue uma nova estética, ora é belo ser magro e já foi belo ser cheio. Na França, por volta de 1800, foi criado o conceito de obesidade relacionado à saúde. Logo quem não cuidava da saúde era julgado moralmente por não ter hábitos saudáveis, sendo visto como alguém ruim. Este fato explica, em parte, o motivo porque hoje as pessoas com peso maior são mal vistas e discriminadas, algo injusto, e que só confirma como nossa sociedade valoriza a aparência física.

O vídeo a seguir (What is beauty - CNN) ilustra a mudança do corpo feminino ao longo do tempo.




Note que o ideal de beleza atual é algo que a maioria não possui. Pense numa mulher alta, magra, seios e glúteos firmes, cintura fina, abdômen reto, branca e de cabelos longos e cacheados. Jovem, de pele lisa, lábios carnudos, nariz fino, sobrancelhas arqueadas. Bem vestida, bem penteada. Vida financeira estável e feliz! Algo muito longe da realidade da maioria das mulheres brasileiras. Muitas vezes é algo impossível de alcançar, mas que é alimentado pela sociedade e que move muitas de nós sem nos darmos conta. É uma espécie de corrida atrás de algo suposto e ideal. É uma forma de nos distanciarmos da nossa própria imagem e de desejarmos algo externo e distante. Essa busca adoece as mulheres. Muitas querem ter uma aparência na ilusão de que serão belas, bem sucedidas e felizes, quando percebem que não é possível, se sentem mal consigo mesmas e não se aceitam. E mais, se não se sentem belas, não se sentem amadas, muito menos bem sucedidas e felizes! Percebe? 

Há estudos que falam sobre a preocupação das mulheres brasileiras com a beleza. Muitas se sentem pressionadas para serem perfeitas e boas em tudo que fazem, acreditam que, para serem bem sucedidas na vida, elas precisam estar enquadradas em determinado tipo de aparência e concordam que na sociedade atual, é fundamental cumprir com certas normas de beleza. Preocupante, não é mesmo?





A partir da reflexão que propus, tenho revisto minha relação com meu corpo, percebendo os pensamentos e os sentimentos que despertam em mim. Admito que penso como essas mulheres do estudo, apesar de dizer que não e de ter avançado em alguns aspectos. Valorizo a minha aparência e me sinto pressionada para estar sempre bonita, mas já me libertei da ideia de ser perfeita e boa em tudo. Não acredito que é preciso ser bela para ser bem sucedida, mas vejo que a beleza abre as portas iniciais dependendo da área de atuação e do relacionamento pretendido. É inegável que na sociedade atual existem certas normas de beleza, embora, sempre exista espaço para cada um se expressar a seu modo. Creio que é importante manter a higiene pessoal, já algumas convenções não são obrigatórias, como cabelos escovados ou unhas pintadas. Há opção de escolha, sempre. 

Preciso reconhecer que desde criança eu me preocupo com meu peso, apesar de hoje perceber que era uma preocupação excessiva. Algo que era incentivado dentro da minha casa e na escola de ballet, e eu tomei como verdade por muitos anos. Depois dos 40 anos, eu me presenteei com a liberdade de me experienciar e, assim, redescobrir qual é o meu número, que forma eu tenho e que lugar eu ocupo no espaço. Não perco de vista a saúde, mas estou encontrando um caminho do meio para me sentir bem e para desfrutar dos prazeres da vida.




Percebo que a visão que eu tenho do meu corpo influencia a forma como me relaciono com as pessoas, como desfruto a vida, como me sinto internamente e, principalmente, como me relaciono comigo. Sinto que é um processo de construção da auto estima, da auto imagem, do amor próprio, que passa pelo se conhecer ainda mais e buscar a referência em mim. Sinto que é preciso relaxar e dar de ombros aos padrões estabelecidos externamente, que é preciso aprender a lidar com a imperfeição e a se satisfazer com o possível.

Comentários

  1. Muito obrigada por esse texto. Agora aos 35anos é que estou aprendendo a me amar sem cobrar perfeição.

    Leila
    Recife/PE

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    1. Então, Leila, sempre é tempo de enxergar com carinho e se amar mais. Grata pelo carinho.

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